sábado, 8 de abril de 2017

Quando a Palavra me faltar...


Quando a Palavra me faltar
Não saberei o que dizer
Não haverá o que cantar
Tampouco linhas a escrever

Quando a Palavra me faltar
Também me faltará o chão
Extinguir-se-á o ar
Tudo será vazio, tristeza, solidão

Quando a Palavra me faltar
Sede não mais vou ter
Perderei por completo o apetite
Ademais não haverá o que comer ou beber

Quando a Palavra me faltar
Não serei sequer um milésimo de quem sou
Tornar-me-ei um ser incapaz de amar
Minha essência será única e puramente dor/rancor

Quando a Palavra me faltar
O mundo por completo irá ruir
Paredes em volta se fecharão
Nada mais de novo haverá por descobrir

Quando a Palavra me faltar
Não mais terei o que fazer
Me prostrarei no chão, de joelhos,
E desatarei a morrer

quinta-feira, 30 de março de 2017

Lugares a ir, coisas a fazer


Àquele que almeja voos altos é preciso asas vigorosas, reforçadas.


Quem pretende ir em frente precisa dar o primeiro passo e, é claro, outros tantos, fatigantes.


Os que têm uma maratona pela frente deverão ter muito pique.



Todo aquele que almeja ir longe deverá trazer a tira colo uma boa quantidade de combustível, estar bem abastecido.


Aqueles que desejam explorar as profundezas precisam de bom fôlego.


Já quem quer voltar atrás simplesmente se deixa ser empurrado pelo vento.


Àquele que deseja, mesmo que inconscientemente, ir para o fundo do precipício, basta um único empurrãozinho.


Aos que desejam a estagnação, a espera pela morte satisfaz.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Profecia apocalíptica fictício-realista


Eis que o tecido da realidade se rasga. A fissura, que a princípio é pequena, não nos preocupa. Por sinal, poucos são os que dão pela presença dela. E menor ainda é a quantidade de pessoas que vê na fissura uma ameaça. Mas não há como remendar tal rasgo. E, dia após dia, a abertura só faz aumentar.


O mundo gira mais rápido, mais feroz, sem freios. A natureza dá graves indícios, preocupantes sinais. Cataclísmicos. As coisas mudam. As pessoas são afetadas. Os seus humores, comportamentos, os seus discernimentos... A perda do amor pela vida. Não há volta. Tudo rui. Desmorona. Se desfaz. Desintegra.


O solo se abre, dando passagem. A terra tem mais habitantes; os céus mais cruzadores; o tempo mais pressa; as águas mais fúria.
A verdadeira realidade aos poucos à nossa ilusória e iludida realidade se apresenta. Mentiras, farsas histórias virão à luz. Choque de mundos. O homem mais pequeno do que nunca.


Loucura, caos, conflito; intensos e incessantes: e tudo despropositado, animalesco, cego. Exércitos tomarão as ruas em marchas irrefreáveis.
 Conceitos de vida, morte, existência, universo, tudo, absolutamente tudo vai caindo por terra conforme a realidade vem se avizinhando no horizonte.


Quando enfim chegar o momento, o grito ensurdecedor a todos despertará.
Tal grito prenunciará a chegada da Luz. A Luz que cegará a tantos e que dará a tantos outros a verdadeira visão.

Quem viver verá

terça-feira, 21 de março de 2017

Cerco


Quando paredes se fecham ao nosso lado e atrás de nós, é sinal de que não temos mais escolha: Devido a um longo período de hesitação, imobilidade, inércia, agora somos obrigados a seguir em frente. E é geralmente neste momento que nos damos conta de que se já o tivéssemos feito, boa parte da caminhada estaria concluída.
Mesmo diante de tão pouca opção, ainda devemos ser gratos por termos para onde rumar. Por sermos impelidos, tão providencialmente, a seguir em frente.

Sob medida


Quando o cansaço está no ápice, quando todas as forças se estão indo, é sinal de que a caminhada está se findando, de que a causa está quase ganha, de que a batalha está praticamente vencida. 
Basta dar o passo definitivo.